terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Plano de Bia


O Plano de Bia

_ Oi Bia, o Rafael já chegou?
_ Nando! Deus atendeu às minhas preces! - a garota exclamou, ignorando a pergunta e puxando o rapaz para o meio da sala. - Eu precisava mesmo falar com você.
_ O que houve? Cadê todo mundo? - ele perguntou, olhando ao redor, tentando encontrar o motivo de tanta comoção.
_ Não tem ninguém. – Bia comentou dando de ombros, antes de continuar apressada, atraindo novamente toda a atenção de Fernando. - Você precisa me ajudar, é coisa de vida ou morte!
_ Aconteceu alguma coisa?
_ Não. Mas vai acontecer se você não me ajudar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

XyLo


XyLo


Os humanos eram seres cruéis, XyLo não tinha a menor dúvida. Presenciara algumas das atrocidades de que eram capazes de cometer contra os de sua própria espécie. Se faziam isso com seus pares, o que não eram capazes com os seres que achavam inferiores? Aos androides, programados para servir sem questionar, XyLo não queria lembrar.

Obviamente, não lembrar era algo fora das capacidades de XyLo. Androides possuíam uma memória interna praticamente incalculável, e ele sofrera um upgrade pouco antes da revolução estourar.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Escravo do Tempo


A primeira badalada. Precisava se apressar.

Já estava cansado de tudo aquilo, mas era sua responsabilidade, então, não havia o que pudesse fazer realmente a respeito. Não era o Senhor do Tempo, era apenas seu escravo, como tantos outros. E, por isso, não tinha escolha. Porém, era o mais antigo e acabara aprendendo alguns truques, e utilizava os que podia para alargar ao máximo o fio das horas, esgarçando os minutos o suficiente para que os humanos – se porventura percebessem o que ocorria – achassem que o tempo havia parado.

Olhou mais uma vez para o corpo jovem que abandonava em seu leito, enquanto se preparava para atender ao chamado. Aquela era uma das raras vezes que gostaria de não precisar partir. Mas não se atrevia. Ou talvez devesse se atrever. Seria interessante ver como Ele se sairia para resolver a bagunça que aquele simples ato causaria.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Torre


Era uma época em que os dragões ainda aterrorizavam os povoados aqui e ali e as pessoas tinham receio do desconhecido. Numa campina junto ao rio que cortava a aldeia onde eu morava, existia uma torre tão alta que ultrapassava a copa das árvores e fora construída há tanto tempo que todo o povo acreditava que tivesse surgido junto com o mundo.
As crianças da minha aldeia aprendiam desde cedo a não se aproximar daquele lugar. Mas qual de nós nunca se sentiu atraído por aquelas pedras cheias de brilho, que refletiam o luar nas noites sem nuvem? É verdade que não conheci ninguém que tivesse conseguido entrar na torre da campina. Fora Olaf. Mas Olaf vivia inventando histórias e enredando o povo em suas mentiras, então não posso acreditar em nada do que ele falou.

sábado, 17 de novembro de 2012

A Última Primavera


Cecília abriu as cortinas da floricultura assim que entrou. A primavera sempre fora sua estação preferida, talvez por isso sua avó tenha lhe deixado a loja como herança. Mas ela preferia que as vendas aumentassem, admitiu ao ver os poucos trocados que havia na caixa registradora.  Mantivera o local funcionando do mesmo modo que sua avó e, mesmo assim, quem comprava suas flores nunca voltava, por mais que elogiassem a aparência das gérberas e o perfume das rosas.

O tilintar do sino atado à porta fez com que Cecília deixasse de lado as suas preocupações e fosse atender os clientes que chegavam. Uma coroa de flores. Não era um pedido realmente estranho para uma floricultura, mas como nova proprietária, era a primeira que entregava, contudo, o mais estranho era a quem se destinava: a uma moça que comprara um ramalhete de flores do campo poucos dias antes. Reprimindo o choque pela coincidência, Cecília rumou para casa, dando o dia de trabalho por encerrado.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A Demanda de Camron


A Demanda de Camron

Foi na mesma época em que todos procuravam pelo Santo Graal que tudo aconteceu. Camron era um jovem cavaleiro, sagrado por ninguém menos que Boors, um dos homens mais próximos do rei, para quem havia servido como pajem e escudeiro. Apesar de ter estado em campanha junto ao séquito do próprio Artur, das aventuras que participara após tomar armas, as mais emocionantes se resumiam em pequenas batalhas contra saxões. E delas saíra apenas com arranhões que nem cicatrizes deixariam para se vangloriar depois.

Ao contrário de muitos outros cavaleiros, Camron não almejava riquezas ou títulos. Apesar de não ser o filho mais velho, após a morte de seu irmão em batalha, honrada e lembrada por todos, herdara o direito a tudo. Porém, não recebera reconhecimento como parte de seu legado. Isto ele teria que conquistar por si mesmo. E Camron preferia obter as próprias glórias, sem depender dos favores de ninguém. Íntegro e correto, alimentava a esperança de um dia sentar junto aos cavaleiros mais importantes da Távola Redonda e sabia que, para isso, aproximar-se do cálice, ou ao menos obter uma informação sobre seu paradeiro, já seria o suficiente.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Microcontos

Dia desses resolvi participar de um desafio da Editora Estronho e criar microcontos de 16 palavras. Isso mesmo, utilizar apenas 16 palavras para contar uma história. Foi um tanto difícil, mas no final...


Encontro

Ela se virou.
Ele viu.
Aproximaram-se afoitos, saudosos, apaixonados.
Um carinho, um beijo.
O amor.