quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Torre


Era uma época em que os dragões ainda aterrorizavam os povoados aqui e ali e as pessoas tinham receio do desconhecido. Numa campina junto ao rio que cortava a aldeia onde eu morava, existia uma torre tão alta que ultrapassava a copa das árvores e fora construída há tanto tempo que todo o povo acreditava que tivesse surgido junto com o mundo.
As crianças da minha aldeia aprendiam desde cedo a não se aproximar daquele lugar. Mas qual de nós nunca se sentiu atraído por aquelas pedras cheias de brilho, que refletiam o luar nas noites sem nuvem? É verdade que não conheci ninguém que tivesse conseguido entrar na torre da campina. Fora Olaf. Mas Olaf vivia inventando histórias e enredando o povo em suas mentiras, então não posso acreditar em nada do que ele falou.

A começar pelo canto ritmado do pássaro que o atraiu a uma pequena porta de carvalho lustroso, que surgiu na parte da torre virada para as montanhas. Eu mesmo já circundei toda a campina tentando encontrar um modo de entrar e nunca, nenhuma vez, vi nada parecido.
E depois, aquela história de uma escada que parecia interminável em que ele, incansável pela curiosidade seguiu até o topo, ou as paredes que aparentavam não existir e deixava-o ver todo o vale e além dele, quando todos nós sabíamos que não há nem uma mísera janela em toda aquela torre. Contudo, devemos admitir que no final ele ter encontrado uma velha mais velha que o tempo, de pele mais fina que um fiapo de nuvem e mais enrugada que uma passa foi o mais absurdo. Olaf contou que ela, a velha, abriu um sorriso sem dentes e lançou um olhar de indecente felicidade ao vê-lo, que lhe arrepiou todo corpo até a alma. A velha então lhe falou palavras num dialeto estranho, que deixou seus sentidos em alerta e depois soprou em seu rosto um pó negro que fez com que ele perdesse os sentidos.
É claro que nem os pastores que o encontraram caído junto às primeiras árvores da floresta, nem ninguém na aldeia acreditaram naquela história que Olaf contou. Nem mesmo quando a febre começou e nunca mais cessou. Nem mesmo quando seus olhos já embaçados imploraram para que crêssemos nele, antes do último suspiro. Nem mesmo hoje, quando meus netos vagueiam junto à torre da campina buscando descobrir um modo de entrar.


Miniconto escrito para o projeto "Fábrica dos Sonhos" do facebook.

6 comentários:

Dani Nogueira disse...

Pri, amada!! Adorei o miniconto!!

Vc tem futuro amore! Continue escrevendo, quero ler maisss!!!

super bjooooo

Lis Santos disse...

Arrepiada pra mais de metro.
Certo, agora quero um livro baseado no sei conto.
Faz, pufavô?

Lis Santos disse...

seu* uheuaheua

Lica Martins disse...

Adorei! Dragões, castelos e cavaleiros estão entre minhas favoritas.

Lívia Cavalheiro disse...

Cruzes! Medo dessa velha louca... que não deve ter apenas loucura...

Tô com a Lis.. imagina uma história baseando-se nisso? Por que está presa? O que levou essa prisão?

Anônimo disse...

Baaahh, quero um livro inteiro puxado por esse conto!


Luisa Lima

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