sábado, 9 de março de 2013

Sob a luz da Lua



A lua cheia, refletida no lago, evocou muitas lembranças em Bryanna. Houvera uma noite em que mergulhara sob a luz do luar com outras meninas da aldeia. Ali sentira a magia pela primeira vez. Nunca imaginaria o que aconteceria por causa disso...


O olhar de maldade que Yrma lhe lançou ao fazer suas acusações em frente ao Tribunal Inquisitorial nunca sairia de sua memória. Elas sempre foram amigas e trocavam confidências. E pensara que sua predição sobre o destino de Yrma traria somente alegrias...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Foi um prazer ter você no Rio



Com a violência da cidade, ninguém prestou atenção quando Mirina começou seu trabalho. Uma prostituta esfaqueada nos Arcos da Lapa, um ambulante na praia de Copacabana... O caso ganhou os noticiários somente quando encontraram a velhinha entre as árvores do Jardim Botânico. E, com a Copa do Mundo se aproximando, o Maracanã vivia sob a mira dos holofotes; não demoraram a encontrar mais um. Só então deram importância para o cartão-postal que ela deixava junto aos corpos com os dizeres: “Foi um prazer ter você no Rio”.

No princípio quisera apenas saber qual seria a sensação. Depois, Mirina passou a sentir um prazer visceral a cada vida que tirava. Ao receber a atenção da polícia e da mídia, a adrenalina começou a correr ainda mais rápido em suas veias. E a excitação gerada a incitava a continuar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Plano de Bia


O Plano de Bia

_ Oi Bia, o Rafael já chegou?
_ Nando! Deus atendeu às minhas preces! - a garota exclamou, ignorando a pergunta e puxando o rapaz para o meio da sala. - Eu precisava mesmo falar com você.
_ O que houve? Cadê todo mundo? - ele perguntou, olhando ao redor, tentando encontrar o motivo de tanta comoção.
_ Não tem ninguém. – Bia comentou dando de ombros, antes de continuar apressada, atraindo novamente toda a atenção de Fernando. - Você precisa me ajudar, é coisa de vida ou morte!
_ Aconteceu alguma coisa?
_ Não. Mas vai acontecer se você não me ajudar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

XyLo


XyLo


Os humanos eram seres cruéis, XyLo não tinha a menor dúvida. Presenciara algumas das atrocidades de que eram capazes de cometer contra os de sua própria espécie. Se faziam isso com seus pares, o que não eram capazes com os seres que achavam inferiores? Aos androides, programados para servir sem questionar, XyLo não queria lembrar.

Obviamente, não lembrar era algo fora das capacidades de XyLo. Androides possuíam uma memória interna praticamente incalculável, e ele sofrera um upgrade pouco antes da revolução estourar.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Escravo do Tempo


A primeira badalada. Precisava se apressar.

Já estava cansado de tudo aquilo, mas era sua responsabilidade, então, não havia o que pudesse fazer realmente a respeito. Não era o Senhor do Tempo, era apenas seu escravo, como tantos outros. E, por isso, não tinha escolha. Porém, era o mais antigo e acabara aprendendo alguns truques, e utilizava os que podia para alargar ao máximo o fio das horas, esgarçando os minutos o suficiente para que os humanos – se porventura percebessem o que ocorria – achassem que o tempo havia parado.

Olhou mais uma vez para o corpo jovem que abandonava em seu leito, enquanto se preparava para atender ao chamado. Aquela era uma das raras vezes que gostaria de não precisar partir. Mas não se atrevia. Ou talvez devesse se atrever. Seria interessante ver como Ele se sairia para resolver a bagunça que aquele simples ato causaria.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Torre


Era uma época em que os dragões ainda aterrorizavam os povoados aqui e ali e as pessoas tinham receio do desconhecido. Numa campina junto ao rio que cortava a aldeia onde eu morava, existia uma torre tão alta que ultrapassava a copa das árvores e fora construída há tanto tempo que todo o povo acreditava que tivesse surgido junto com o mundo.
As crianças da minha aldeia aprendiam desde cedo a não se aproximar daquele lugar. Mas qual de nós nunca se sentiu atraído por aquelas pedras cheias de brilho, que refletiam o luar nas noites sem nuvem? É verdade que não conheci ninguém que tivesse conseguido entrar na torre da campina. Fora Olaf. Mas Olaf vivia inventando histórias e enredando o povo em suas mentiras, então não posso acreditar em nada do que ele falou.

sábado, 17 de novembro de 2012

A Última Primavera


Cecília abriu as cortinas da floricultura assim que entrou. A primavera sempre fora sua estação preferida, talvez por isso sua avó tenha lhe deixado a loja como herança. Mas ela preferia que as vendas aumentassem, admitiu ao ver os poucos trocados que havia na caixa registradora.  Mantivera o local funcionando do mesmo modo que sua avó e, mesmo assim, quem comprava suas flores nunca voltava, por mais que elogiassem a aparência das gérberas e o perfume das rosas.

O tilintar do sino atado à porta fez com que Cecília deixasse de lado as suas preocupações e fosse atender os clientes que chegavam. Uma coroa de flores. Não era um pedido realmente estranho para uma floricultura, mas como nova proprietária, era a primeira que entregava, contudo, o mais estranho era a quem se destinava: a uma moça que comprara um ramalhete de flores do campo poucos dias antes. Reprimindo o choque pela coincidência, Cecília rumou para casa, dando o dia de trabalho por encerrado.