domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pensamentos de carnaval

Oficialmente o carnaval acabou na última quarta-feira. Mas se você, como eu, mora em algum lugar regido por calendários oficialmente diferentes, pode ser que ele termine hoje após a apresentação do Monobloco ou qualquer outro bloco de rua que passe por aí.

Desde que me lembro por gente meus carnavais foram regidos por marchinhas. Minha mãe, sempre com muita animação e pouco dinheiro, me levava para curtir o carnaval de rua do Rio de Janeiro desde pequena e me doutrinou bem no quesito músicas populares.

Na semana retrasada, ao iniciar minhas aulas, trabalhei marchinhas com os alunos. Era uma aula simples, sem muitas pretensões e que não pedia muitas interpretações de alunos ainda nos primeiros anos de sua vida escolar. Mas me peguei prestando um pouco mais de atenção nas letras que tantas vezes cantarolei de forma automática (atire a primeira pedra em quem nunca se viu cantando sem querer).

Isso ficou na minha cabeça por um tempo e resolvi deixar para lá. Então, vi uma postagem do meu compadre Guto no facebook, e percebi que meu intento ia ser impossível.

Temos sempre a impressão que o mundo de hoje está mais caótico e desrespeitoso que o de antigamente. Nossos modos e costumes evoluiram tanto quanto encurtaram os tamanhos das saias e aumentaram o vocabulário de xingamentos dito por crianças. Mas, será mesmo?

Em 1931 Lamartine Babo, autor de várias músicas populares entre elas marchinhas e hinos de clubes de futebol, escreveu a famosa "O Teu Cabelo Não Nega":

O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega mulata
Mulata eu quero o teu amor

Existe coisa mais racista do que alegar que "como a cor não pega mulata, eu quero o teu amor"?

Já o Guto postou a letra de "Na minha casa não se racha lenha" escrita em 1920, questionando se seus autores seriam os precursores de certo tipo de funk. 
 


Depois de ler a letra, eu tive que concordar com ele. Mas essa é a minha opinião e obviamente eu, como não sou dona da razão, posso estar errada...

4 comentários:

Luís Augusto Farinatti disse...

Pois é, Pri. Claro que não acho que o funk descenda dessas marchinhas, e o contexto era bem outro. Mas, como você notou muito bem, é sempre bom ter cuidado ao enunciar discursos de "decadência" que criam uma suposta "idade de ouro" no passado.

Priscila Louredo disse...

Exato, nos acostumamos a imaginar os tempos passados como melhores. Muita coisa mudou, só não podemos esquecer que algumas coisas não mudaram tanto assim... E nem, é claro, tomar tudo a ferro e fogo.

Lívia Cavalheiro disse...

Carnaval não é minha festa preferida. Gosto de marchinhas se não tocarem o tempo todo, quanto às músicas de hoje...cruz credo!
Pra mim, carnaval é só uma época de feriado quando encontro meus amigos que moram longe e, de quebra, me divirto até falar chega!

E se for parar pra analisar... Saca as músicas pra criança dormir? Boia da Cara Preta e afins? Eita, povo estranho pra escrever música desde sempre..rsrsrsrs

Priscila Louredo disse...

Com certeza Livia, eu mesma nunca cantei Boi da Cara Preta, Tutu Marambá ou coisa do tipo pra nenhum dos filhos, sobrinhos ou afins.

Nunca entendi como botar medo em criança, na hora dela dormir, poderia funcionar... (Talvez por isso tanto a Val como o Pedro dempre dormiram na própria cama e bem)

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